<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?><!DOCTYPE article  PUBLIC '-//OASIS//DTD DocBook XML V4.4//EN'  'http://www.docbook.org/xml/4.4/docbookx.dtd'><article><articleinfo><title>UNELivre</title><revhistory><revision><revnumber>2</revnumber><date>2012-01-08 04:26:42</date><authorinitials>PauloSantana</authorinitials></revision><revision><revnumber>1</revnumber><date>2012-01-08 04:24:53</date><authorinitials>PauloSantana</authorinitials></revision></revhistory></articleinfo><section><title>UNE Livre</title><para>Caros colegas estudantes,  </para><para>Com o intuito de colaborar com um debate mais amplo para o CONUNE e dividir com todos as(os) estudantes algumas das atividades e objetivos nas quais a Executiva Nacional dos Estudantes de Computação (ENEC) tem focado seus esforços, estamos elaborando este documento. Longe de ser algo fechado, este pode ser discutido e melhorado em nosso site: <ulink url="http://www.enec.org.br">www.enec.org.br</ulink>. </para><para>Nos colocamos à disposição para debater os tópicos deste documento e tirar qualquer dúvida que possa ter permanecido após sua leitura. Esse documento tem a intenção de colaborar com as teses que serão enviadas ao próximo CONUNE. Portanto, se algum grupo do Movimento Estudantil quiser inserir algumas idéias deste texto, pode contar com a ENEC para ajudar nos debates que serão necessários. </para><section><title>Software Livre</title><para>Considerando nossa área de estudo e trabalho, uma de nossas principais atividades é na defesa e uso do Software Livre. Sabemos que o Software Livre é só uma das muitas iniciativas da Liberdade do Conhecimento. Talvez a mais bem-sucedida iniciativa na área seja mesmo o Software Livre, mas isso não quer dizer que todo trabalho esteja feito: ainda existem muitas frentes nas quais o tema deve ser levantado.  </para><para>As empresas produtoras de software proprietário e detentoras de grande parte do mercado hoje estão batendo forte contra os que defendem o Software Livre e praticando o FUD (&quot;Fear, Uncertainty and Doubt&quot; - medo, incerteza e dúvida) [1] para influenciar pessoas e principalmente governos a não usar Software Livre.  </para><para>Essa estratégia já se reflete no Brasil, que apesar de ter avançado na política da disseminação do Software Livre, tem uma postura vacilante e de poucos investimentos, chegando a assustar à comunidade do Software Livre com a possível permissão de uso de software proprietário (no caso, o Microsoft Windows) no programa PC Conectado[2], reduzindo os impostos para máquinas que usassem este software. Felizmente, por pressão da comunidade nacional de Software Livre o governo recuou e só teremos Software Livre nos microcomputadores do programa PC Conectado.  </para><para>Pelas razões acima expostas, propomos que a UNE se comprometa com a liberdade do conhecimento, abrindo discussões, dando idéias e propondo soluções junto aos governos dos estados, municípios e do Brasil para a disseminação do Software Livre, seja no uso, desenvolvimento ou contribuição com a comunidade em torno deste. Somente desta forma estaremos caminhando na direção de nossa autonomia tecnológica frente a grandes organizações internacionais que nos impõe o uso de software proprietário via acordo da ALCA[3]. </para><para>A primeira ação prática que a UNE pode e deve tomar é discutir e propor soluções, juntamente com a comunidade de Software Livre brasileira, para que se garanta que empresas que formam o consórcio do projeto PC Conectado não instalem Software Proprietário.  </para><para>De forma mais geral, uma atitude bastante importante seria defender a idéia que todo programa de inclusão digital seja feito com Software Livre, o que consiste em firmar parcerias com ONGŽs que trabalham com inclusão digital com Software Livre e acabar com a falácia dos CDIŽs [4]. Não existe inclusão digital de verdade com software proprietário, e é necessário que a sociedade entenda isso, sendo a conscientização por parte dos(as) estudantes um passo extremamente significativo nessa direção. </para><para>Ainda neste campo, a UNE deve discutir com o MEC a idéia de as universidades federais e CEFET's usarem Software Livre em todos os seus computadores[5], tanto pelas questões financeiras quanto, mais importante ainda, pela idéia de desligamento do monopólio do conhecimento imposto pelo modelo do software proprietário. </para></section><section><title>Liberdade do conhecimento</title><para>A liberdade do conhecimento é uma discussão que nós, estudantes e defensores dessa idéia, temos que levantar. O conhecimento é peça fundamental para o desenvolvimento de qualquer país, e os detentores deste tentam aprisioná-lo e manipulá-lo pois sabem o quão poderoso é nas mãos de quem luta por um mundo mais justo e com igualdade de oportunidades para todos. O movimento do Software Livre trouxe novidades nessa área, até mesmo surpreendendo e tirando de uma pequena e antes toda-poderosa parcela da sociedade os meios de produção. Ela agora está contra-atacando, na tentativa de evitar que outros movimentos de liberdade do conhecimento nasçam e cresçam como o movimento de Software Livre. </para><para>Outra questão que deve combatida é a proibição de cópia de livros nas universidades que o Ministério da Justiça está propondo e além de tudo chamando a UNE para fazer parte disso. Já nos manifestamos contrários a isso[6] e esperamos que a UNE não tome parte nessa ação que só visa resguardar o lucro das editoras em detrimento do acesso ao conhecimento dos(das) alunos(as) e de uma discussão ampla sobre o preço dos livros. </para><para>E, finalmente, os rumos que o projeto Memória do Movimento Estudantil são graves e preocupantes, uma vez que mantém o próprio site do projeto em Software Proprietário e em Copyright [7], e está sendo feito sem a participação efetiva de quem realmente participou desse movimento. Se quiser defender a liberdade do conhecimento, a UNE deve reconstruir o projeto junto aos(as) estudantes e ex-estudantes, que são os verdadeiros agentes desta história. </para><section><title>Tecnologia da Informação</title><para>Por conta das dimensões territoriais do Brasil, a comunicação da UNE com os estudantes é bastante difícil. Porém, a tecnologia tem ajudado muitas organizações a encurtar essas distâncias através da Internet. Por isso, já passa da hora de a UNE ter uma estrutura própria de Tecnologia da Informação.  </para><para>Essa estrutura consistiria em um servidor onde ficaria hospedado o sítio da UNE, listas de discussão e Softwares de Controle das atividades da UNE. </para><itemizedlist><listitem><para><emphasis role="strong">Sítio da UNE</emphasis>: Seria em Software Livre, colaborativo[8] e em Copyleft[9]. </para></listitem><listitem><para><emphasis role="strong">Listas da UNE:</emphasis> Os serviços gratuitos de lista não são seguros e podem ser cancelados a qualquer momento. Por isso, a UNE deverá hospedar suas listas em seu próprio servidor. Algumas dessas listas seriam: a lista da Diretoria, uma lista de estudantes (com uma forte e séria moderação para evitar abusos, como os que acontecem na lista =enex=) e listas que podem ser necessárias para organizar eventos e tarefas da UNE. </para></listitem><listitem><para><emphasis role="strong">Softwares de Controle:</emphasis> devido à ampla gama de trabalhos e discussões dos quais a UNE deve participar, e pela atual falta de transparência, esta estrutura de TI poderá abrigar softwares de controle para as diversas atividades. Esses softwares, além de dar maior dinamicidade as tarefas, poderão distribuí-las entre vários(as) estudantes através do Brasil. Essa atitude daria transparência às atividades dos diretores(as) da UNE, uma vez que hoje é muito difícil saber o que está fazendo cada diretor(a) e como contribuir com o(a) mesmo(a). </para></listitem><listitem><para><emphasis role="strong">Boletim eletrônico:</emphasis> devido ao dinamismo do Movimento Estudantil, as informações via impressa sempre chegam um pouco defasadas. Embora consideremos estas muito importantes, a mídia digital já é uma realidade, realidade esta que a UNE ainda não vive. Por isso, propomos um boletim eletrônico da UNE, onde os diretores da UNE, CA's, DA's, DCE's, Executivas, Federações e Coordenações de cursos, além de estudantes que queiram colaborar, possam trocar informações sobre seus projetos, e que essas informações sejam distribuídas entre os(as) estudantes de todo o Brasil para que mais estudantes saibam das atividades do Movimento Estudantil. </para></listitem></itemizedlist></section><section><title>Cultura Livre</title><para>Conforme já mencionado neste documento, a UNE deve participar do processo de luta pela liberdade do conhecimento e isso inclui a colaboração por uma cultura livre, que possa ser acessada por todos(as), que seja em Copyleft e com um acesso democrático.  </para><para>Por esses motivos, a BIENAL deve incentivar que seus trabalhos sejam em Copyleft e que sejam levados a lugares onde as pessoas que não têm acesso a estas obras passem a ter esse acesso, como feiras livres, favelas, escolas públicas, cidades do interior e etc. </para></section></section><section><title>Propostas para Discussão</title><para>Resumindo, queremos discutir as seguintes propostas com os mais diversos grupos do Movimento Estudantil: </para><itemizedlist><listitem><para>Apoiar oficial e publicamente a não-instalação de software proprietário nos microcomputadores do programa PC Conectado </para></listitem><listitem><para>Apoiar a idéia de que os programas de inclusão digital, sobretudo os públicos sejam feitos em Software Livre e contribuir com os mesmos, servindo de ponte entre os estudantes que de fato querem ajudar e esses programas. </para></listitem><listitem><para>Ajudar no processo de conscientização do MEC para a migração para Software Livre dos computadores das IFES e CEFETŽs que ainda rodam software proprietário. </para></listitem><listitem><para>Não participar do processo de fechamento de copiadoras nas Universidades e propor um acordo que baixe os preço de livros e que libere cópias para estudo, mesmo que estas cópias sejam controladas pelas próprias IES </para></listitem><listitem><para>Manutenção do projeto &quot;Memória do Movimento Estudantil&quot; desde que esse projeto seja em Copyleft e com maior participação estudantil </para></listitem><listitem><para>Estrutura própria de Tecnologia da Informação (TI), que consiste na compra de um servidor onde ficaria hospedado o sítio da UNE, listas, softwares de controle das atividades e etc. </para></listitem><listitem><para>Incentivar trabalhos em Copyleft na BIENAL </para></listitem><listitem><para>Levar a BIENAL a mais lugares, sobretudo aqueles com alta concentração de pessoas carentes e que normalmente não teriam acesso a eventos culturais do tipo </para></listitem></itemizedlist></section><section><title>Referências</title><para>[1] &quot;FUD&quot; significa <emphasis>Fear, Uncertainty and Doubt</emphasis> (medo, incerteza e dúvida). É uma técnica pela qual quem detém uma grande fatia de mercado consegue gerar inseguranças no mercado que impedem os usuários de escolher um produto concorrente. Por exemplo, &quot;o Linux não possui interface gráfica&quot;, ou &quot;o Linux não é seguro porque qualquer um pode alterar o programa&quot; etc. As técnicas de FUD são bastante disseminadas no universo da informática. </para><para>[2] PC Conectado é o programa do Governo Federal de inclusão digital que venderá microcomputadores mais baratos para a população. Para maiores informações: <ulink url="http://www.cqgp.sp.gov.br/downloads/pc%20conectado.pdf"/> </para><para>[3] &quot;A <emphasis>Digital Millennium Copyright Act</emphasis> [lei de direitos autorais do país, que contempla a internet], que proíbe que um software livre execute um DVD ou leia um e-book. Os EUA estão tentando usar a ALCA para tentar impor essa lei também no Brasil e outros países&quot; (Richard Stallman em: <ulink url="http://www.softwarelivre.mt.gov.br/destaque.php?BASE=destaque&amp;ID=149"/>). </para><para>[4] CDI - Comitê para democratização da Informática, ONG brasileira que ensina as pessoas a utilizarem Microsoft Windows e Microsoft Office offline e afirmam estarem fazendo inclusão digital. Eles são patrocinados diretamente pela Microsoft. Em <ulink url="http://www.michelazzo.com.br/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=102&amp;Itemid=2"/> existe uma discussão sobre esta organização. </para><para>[5] Em <ulink url="http://www.enec.org.br/ReformaSL"/> está disponível um texto de Leandro Chemalle e Francisco José Alves sobre o uso de Software Livre nas IFES. </para><para>[6] <ulink url="http://www.enec.org.br/CartaUneCopiadora"/> </para><para>[7] Direito autoral (em inglês Copyright) é o termo que designa a propriedade de um artefato cultural - como obras literárias, músicas, pinturas, programas de computador, entre outros. O copyright dá a seu dono direitos exclusivos sobre a obra em questão, principalmente direitos de produção, venda e execução pública de cópias da obra, além da possibilidade de repassar esses direitos a terceiros. Mais em: <ulink url="http://pt.wikipedia.org/wiki/Copyright"/>. </para><para>[8] Sítio colaborativo é um sítio que permite que seus usuários contribuam com seu conteúdo, utilizando-se de uma tecnologia wiki. O sítio da ENEC é colaborativo. Mais informações: <ulink url="http://pt.wikipedia.org/wiki/Wiki"/>. </para><para>[9] Copyleft é uma forma de proteção de direitos de autor que tem como objetivo prevenir que sejam colocadas barreiras à utilização, difusão e modificação de uma obra criativa devido à aplicação clássica das normas de Propriedade Intelectual. Mais em: <ulink url="http://pt.wikipedia.org/wiki/Copyleft"/> </para></section></section></article>